I

Movimento em convulsão
Um fluxo de corpos
Soldados, possuídos
Nenhuma distância é possível
Tempo sem espaço
Movimento sem matéria

II

O infinito aberto
Aos olhos
Nos ata a
Céu e mar

III

A resistência das coisas
Em se doar
Tudo é escuridão
Que não se deixa agarrar

IV

Som placentário
Imerso,
Imerso na matéria
Sem tempo
Som rouco e grave
Batucando por todo corpo
Cataclismo

V

A luz
Risca a pele
Do céu

Tudo
que resta aos olhos
são retalhos de luz

VI

Os pés
Sempre ao encontro
Do tempo

VII

Gravidade negativa
Supressão da distância
O olho negro que
Suga todo o instante
E o comprime
num movimento único
Em riscos convulsionados
Em gotas ácidas triunfantes

Os cacos da realidade
Que explode
E espalha-se
Em pó dourado

Realidade fraturada
Que se abre em luz

VIII

Musgo verde
Movimento imperceptível
Mas incansável
Engolindo a árvore e o rochedo

IX

Vibração
Vida
Profundidade infinita
Em cada cor

Em cada coisa
abre um abismo
inquietante

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