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Contém poemas

mês

janeiro 2016

Poemas na Diversos Afins

Traição

O segredo atrás da porta:
Olhos
absorvendo
cores e musgos
do mundo em silêncio

Segredo:
A cor sugando
a vida
pelos olhos

Janela poética IV – Diversos Afins

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Lançamento

Lançamento de Transversais é dia 13 de fevereiro às 19h

Onde: Lá na Patuscada

Venham bebericar uma cervejinha entre um poema e outro 😉
transversaiscapa

Pré-venda: Editora Patuá

Evento: Lançamento do livro Transversais

Espanto

Inesgotável
O olhar
Pregado no rosto

Olhar o horizonte:
– a imensidão
pra dentro

Dentro do olho
descansa
o horizonte de cada coisa

O corpo

devora-se
de dentro pra fora
até ficar oco

O corpo
já não aguenta
tempo
Quer espalhar-se
pelos instantes difusos

Como pólen
Quer se infiltrar
Fecundar
Nas frestas do espaço e do tempo

Movimentos de luz

I

Movimento em convulsão
Um fluxo de corpos
Soldados, possuídos
Nenhuma distância é possível
Tempo sem espaço
Movimento sem matéria

II

O infinito aberto
Aos olhos
Nos ata a
Céu e mar

III

A resistência das coisas
Em se doar
Tudo é escuridão
Que não se deixa agarrar

IV

Som placentário
Imerso,
Imerso na matéria
Sem tempo
Som rouco e grave
Batucando por todo corpo
Cataclismo

V

A luz
Risca a pele
Do céu

Tudo
que resta aos olhos
são retalhos de luz

VI

Os pés
Sempre ao encontro
Do tempo

VII

Gravidade negativa
Supressão da distância
O olho negro que
Suga todo o instante
E o comprime
num movimento único
Em riscos convulsionados
Em gotas ácidas triunfantes

Os cacos da realidade
Que explode
E espalha-se
Em pó dourado

Realidade fraturada
Que se abre em luz

VIII

Musgo verde
Movimento imperceptível
Mas incansável
Engolindo a árvore e o rochedo

IX

Vibração
Vida
Profundidade infinita
Em cada cor

Em cada coisa
abre um abismo
inquietante

mariposa

Rasgo

Trago o tempo entre os dentes
É preciso morder a existência pelas bordas
para que não escape

É necessário rasgar a carne
para o que está dentro
possa vir à tona

Rasgar entre a luz e a fumaça
Mexer as imagens com os dedos
Acordar entre a loucura e poesia
Sonhar até ficar vazia

Não há mais delicadeza
Apenas pólvora queimando sem rima
Poesia frita em óleo sujo
Translucidez

Ser é tempo iluminado
Que se desdobra em sua espessura
E vira a esquina

Destruição

A coisa contra a coisa:

a inútil crueldade
da análise. O cruel
saber que despedaça
o ser sabido.

A vida contra a coisa:
a violentação
da forma, recriando-a
em sínteses humanas
sábias e inúteis.

A vida contra a vida:
a estéril crueldade
da luz que se consome
desintegrando a essência
inutilmente.

(indispensável) Orides Fontela

Fragmento

Espero pelo raio
na textura efervescente do dia
Os pensamentos
extraviam-se nas folhas

Padeço de fragmento
Hesitado vai o tempo

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