Lançamento dia 13 de fevereiro às 19h pela Editora Patuá na Patuscada 

Evento: Lançamento de Transversais

Pré-venda: Editora Patuá

Compareçam 🙂

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Orelha do livro escrita pela Camila Pasquini:

Transversais é um vislumbre de instantes impenetráveis da realidade. Uma poesia extremamente imagética, em que o leitor é levado a abandonar o olhar realista do mundo por um olhar fragmentado que não provém de um sujeito ou eu lírico. O mundo em foco se revela em momentos vazios, lugares abandonados, a beleza da erva daninha e do terreno baldio, que guardam consigo o segredo essencial das coisas.

O poder das imagens consegue transmutar a realidade através da força e magia da linguagem poética. O corpo, uma das imagens centrais, é penetrado pelo mundo. Corpo e mundo são inseparáveis, não há como sair incólume. O coração se endurece como cimento e os poros absorvem a cidade. Existem transversais que percorrem toda realidade sem nunca subjugá-la.

O ritmo é livre, a poesia escapa das amarras da metrificação como o mundo escapa dos nossos olhos. Ritmo e imagem são indissociáveis em sua fragmentação. A dissonância, esse não conseguir explicar ou definir é o cerne do livro, dessa poesia que não visa responder, mas conduzir a vislumbres do mundo e das sensações de habitá-lo e ser por ele habitado, o que mantém a poesia viva e pulsante mesmo após fecharmos o livro. Nele a palavra é inútil, mas inevitável.

 

Trecho do prefácio, escrito por Bruno Bernardo:

“Cada coisa no mundo, cada sentimento ou objeto, cada desejo ou medo, é como o ponto de encontro de incontáveis transversais que passam pelo papel no tempo eterno e fugidio da leitura, tal como o mundo mostrando sua realidade imponderável. Os versos não traduzem o fenomênico do mundo, mas sua ressonância em cada parte. “O corpo desgastado/ não hesita/ Deixa-se engolir/ pela tempestade”. Não hesitar, deixar-se engolir, é o que o mundo pede através da voz poética que está acima da relação entre sujeito e objeto. É como se essa voz fosse o inefável real do mundo, o real que ainda não foi posto em palavras, que não foi contabilizado na memória, na percepção de alguém.

(…)

Os poemas devem ser experimentados, não compreendidos. Eles jogam o leitor no mundo caótico, sem reconforto, sem respostas prontas. É como se a textura das palavras fosse fragmentada como o mundo, com cada fragmento reverberando no outro. É um convite à experiência e não ao cálculo. A sensação de desamparo leva ao abandono das ilusões de proteção, tão cara em nossos tempos, mas que levam à separação com o mundo. Rumo ao desprotegido, ao desamparo, é como se o leitor ganhasse coragem de abandonar a noção de posse, que se mostra inexistente como a articulação de futuros possíveis. ”

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